sábado, 8 de junho de 2013

A tal lei da "Bolsa Estupro" e o que eu tenho a ver com isso

Quando confirmei a gravidez (com 16 semanas de gestação sem acompanhamento médico) não fiquei feliz. Isso é fato.

Chorei horrores pensando no quanto aquele fato que mudaria a minha vida pra sempre estava vindo na hora errada. Eu estudava pra concursos, sonhava com a carreira de estabilidade e bons salários...

Pelo projeto de lei aí talvez fosse até acusada de aborto... Pois tomei a pílula "do dia seguinte". Que segundo alguns estudiosos é uma forma de aborto.

Mas quando fui falar para meu pai que viria uma netinha... ele me disse: "aqui em casa aborto?! Nem tocamos no assunto! Nem imagine isso!"

Não tenho muito diálogo com meu pai, nunca tive. Ele é uma pessoa fechada que prefere não discutir sobre assuntos do tipo, assim como era meu avô.

Minha mãe ficava falando na minha cabeça que se meu avô materno estivesse vivo não aprovaria a minha atitude, como se eu tivesse escolhido estar onde e como estava.

Bem daí dá pra ver a mentalidade que reina aqui.

Mas depois que tive minha filha (que apesar de ter vindo sem planejamento e sem vontade) AMADA, passei a pensar. Imagina se eu tivesse sido estuprada. Imagina se o cara ou a família dele não ligasse para conhecer e conviver com a criança?! Imaginem se fosse um delinquente ou condenado?! Eu ia querer abortar sim.

Não porque não gosto de criança ou porque não tivesse vontade de ser mãe ou porque achasse que o fruto ali seria a minha recordação do fato a vida toda. NÃO.

Mas porque criar uma criança tendo a vontade imensa de ser mãe já é difícil, imagine quando não se tem vontade NENHUMA de ser mãe?!

E mãe é quem cria, quem dá atenção, quem passa noites acordada pois algo acontece com a pessoa que você é responsável por pelo menos 18 anos em que você é a tutora.

Escrevendo assim pode parecer que tenho a Sophia porque veio e não tinha jeito.

Não me interpretem mal. A terapia me mostrou que o pai dela pode não ser o meu modelo de pai ou de homem, mas é o pai que talvez, inconscientemente, escolhi para minha filha. E ele nos surpreende a cada dia.
Quando confirmei as 16 semanas só pensava estar grávida de um moleque que não sabia o que queria da vida.

Mas assim como essa filha veio me colocar mais "pé no chão". Também veio colocar "juízo" na cabeça do pai dela.

Filhos vêm não somente para lembrar da "bobagem" que fizemos, mas para ensinar mil e uma lições.

Mas se eu como mulher, dona do meu corpo, decido interromper uma gravidez indesejada e não posso por uma lei que um HOMEM (ele não sabe o que acontece nos 9 meses com a gente, aliás nem sonha) criou; uma lei que me impede disso e até condena o ato. Creio que o meu corpo agora pertença ao Estado. Até porque se o filho nascer é o Estado que vai me pagar a pensão... Espera aí... eu nunca quis depender do Estado assim e nem seria uma escolha, seria uma coisa imposta.

Não sei se fui clara quanto meu posicionamento a respeito de toda essa discussão. Mas quero dizer que apoio o veto desse projeto de lei. Não faz sentido! Como se o Brasil estivesse com os cofres públicos transbordando e pudéssemos criar mais uma destinação inútil para os impostos que pagamos.

E gostaria ainda dizer que depois de saber o que é SER mãe, também entendo perfeitamente, além das que optam por abortar, as que preferem não ter filhos.

Um comentário:

Adriana Freire disse...

Parabéns pelo posicionamento.....

Acho que no mínimo, vc fez com que algumas pessoas pensassem em outras possibilidades que não fosse a de reprimir a hipótese de aborto.

Um beijo
Adri